Hebreus - Um Melhor Concerto - Epistolas Gerais

Esboço

I - O Argumento: Cristo e a Fé Cristã Sobrepujam o Judaísmo (1.1–10.18)

A} - Em Revelação (1.1–4.13)
     Jesus Cristo é a Revelação Plena e Final de Deus à Humanidade
1. Superior aos Profetas (1.1-3)
2. Superior aos Anjos (1.4–2.18)
    Exortação: O Perigo da Negligência (2.1-4)
3. Superior a Moisés (3.1-6)
    Exortação: O Perigo da Incredulidade (3.7-19)
4. Superior a Josué (4.1-3)
B} - Em Mediação (4.14–10.18)
     Como Nosso Grande Sumo Sacerdote, Supera em Tudo o Sacerdócio; Levítico do AT
1. Superior nas Suas Qualificações (4.14–7.25)
    Exortação: O Perigo de Permanecer Espiritualmente Imaturo (5.11–6.3)
    Exortação: O Perigo de Cair (6.4-20)
2. Superior em Seu Caráter (i.e., de Cristo) (7.26-28)
3. Superior em Seu Ministério (8.1–10.18)
    a. Situado em Melhor Santuário (8.1-5)
    b. Baseado em Melhor Concerto (8.6-13)
    c. Realizado Mediante um Melhor Culto (9.1-22)
    d. Cumprido Mediante um Melhor Sacrifício (9.23–10.18)

II - A Aplicação: Exortação à Perseverança (10.19–13.17)

A} - No Âmbito da Salvação (10.19-38)
B} - No Âmbito da Fé (10.39–11.40)
1. A Natureza da Fé (10.39–11.3)
2. Exemplos de Fé no Antigo Testamento (11.4-38)
3. A Vindicação da Fé: Aperfeiçoada em Cristo (11.39,40)
C} - No Âmbito da Resignação (12.1-13)
D} - No Âmbito da Santidade (12.14–13.17)
1. A Prioridade da Santidade (12.14-29)
2. A Prática da Santidade (13.1-17)
Conclusão (13.18-25)

Autor: Desconhecido
Tema: Um Melhor Concerto
Data: Cerca de 67-69 d.C.

Considerações Preliminares


Este livro foi destinado originalmente aos cristãos de Roma. O seu título, nos manuscritos gregos mais antigos, diz apenas “Aos Hebreus”. Seu conteúdo, no entanto, revela que foi escrito a cristãos judeus. O emprego que o autor fez da Septuaginta (versão grega do AT), nas citações do AT, indica que os primeiros leitores foram provavelmente judeus de idioma grego que viviam fora da Palestina. A expressão “Os da Itália vos saúdam” (13.24) significa provavelmente que o autor escrevia para Roma, e que na ocasião incluiu saudações de crentes italianos que viviam longe da pátria. Os destinatários podem ter sido igrejas em lares, da comunidade cristã de Roma, das quais algumas estavam a ponto de abandonar a fé em Jesus e voltar para a antiga fé judaica por causa da perseguição e do desânimo.O escritor não se identifica no título original, nem através do livro, embora fosse bem conhecido dos seus leitores (13.18-24). Por alguma razão, perdeu-se a sua identidade ao findar-se o século I. Posteriormente, na tradição da igreja primitiva (séculos II ao IV), surgiram muitas opiniões diferentes sobre o possível escritor de Hebreus. A opinião de que Paulo haja sido o autor não tinha aceitação até o século V.
Muitos eruditos conservadores descartam a autoria de Paulo, uma vez que o estilo esmerado e alexandrino do autor, seu embasamento na Septuaginta, sua maneira de introduzir as citações do AT, seu método de argumentar e ensinar, a estrutura da argumentação e a omissão da sua identificação pessoal são características muito diferentes das de Paulo. Além disso, enquanto Paulo sempre apela à sua revelação recebida diretamente de Cristo (cf. Gl 1.11,12), esse escritor demonstra ser um dos cristãos da segunda geração aos quais o evangelho fora confirmado por testemunhas oculares do ministério de Jesus (2.3). Entre os homens mencionados nominalmente no NT, a descrição que Lucas oferece de Apolo, em At 18.24-28, ajusta-se melhor ao perfil do escritor de Hebreus.
Deixando de lado o nome do escritor de Hebreus, uma coisa é certa: ele escreveu na plenitude do Espírito e com entendimento, revelação e autoridade apostólicos. A ausência de qualquer referência, em Hebreus à destruição do templo de Jerusalém e do seu culto levítico é um forte indício que o autor escreveu antes de 70 d.C.

Propósito


Hebreus foi escrito principalmente para os cristãos judeus que estavam sob perseguição e esmorecimento. O escritor procura fortalecê-los na fé em Cristo, demonstrando cuidadosamente a superioridade e finalidade da revelação e redenção da parte de Deus em Jesus Cristo. Demonstra que as disposições divinas para a redenção vistas no Antigo Concerto cumpriram-se e tornaram-se obsoletas pela vinda de Jesus e pelo estabelecimento de um Novo Concerto, mediante a sua morte vicária. O escritor anima seus leitores (1) a manterem firme sua confissão de Cristo até o fim, (2) a prosseguirem para a maturidade espiritual, e (3) não volverem ao estado de condenação caso abandonem a fé em Jesus Cristo.

Visão Panorâmica


Hebreus parece mais um sermão do que uma epístola. O autor descreve sua obra como “uma palavra de exortação” (13.22). Contém três divisões principais. (1) Primeiro, Jesus, o poderoso Filho de Deus, é declarado a plena revelação de Deus à humanidade — maior do que os profetas (1.1-3), do que os anjos (1.4—2.18), Moisés (3.1-6) e Josué (4.1-11). Nesta divisão do livro, ocorre uma advertência solene no tocante às conseqüências do abandono da fé ou do endurecimento do coração pela incredulidade (2.1-3; 3.7—4.2). (2) A segunda divisão apresenta Jesus como o sumo sacerdote, cujas qualificações (4.14—5.10; 6.19—7.25), caráter (7.26-28) e ministério (8.1—10.18), são perfeitos e eternos. Há uma solene advertência para quem permanecer espiritualmente imaturo ou mesmo “cair” depois de se tornar participante de Cristo (5.11—6.12). (3) A divisão final (10.19—13.17) admoesta enfaticamente os crentes a perseverarem na salvação, na fé, no sofrimento e na santidade.

Características Especiais


Oito características afloram neste livro. (1) No NT é único quanto à sua estrutura: “começa como tratado, desenvolve-se como sermão e termina como carta” (Orígenes). (2) É o texto mais refinado do NT, abeirando-se do estilo do grego clássico, mais do que qualquer outro escritor do NT (com exceção, quiçá, de Lucas, em Lc 1.1-4). (3) É o único escrito do NT que desenvolve o conceito do ministério sumo sacerdotal de Jesus. (4) A cristologia do livro é ricamente variada, apresentando mais de vinte nomes e títulos de Jesus. (5) Sua palavra-chave é “melhor” (13 vezes). Jesus é melhor do que os anjos e todos os mediadores do AT. Ele provê melhor repouso, concerto, esperança, sacerdócio, expiação pelo sacrifício vicário e promessas. (6) Contém o principal capítulo do NT a respeito da fé (cap. 11). (7) Está repleto de referências e alusões ao AT que oferecem um rico conhecimento da interpretação cristã primitiva da história e da adoração no AT, mormente no campo da tipologia. (8) Adverte, mais do que qualquer outro escrito do NT contra os perigos da apostasia espiritual.

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