Atos dos Apóstolos - A Propagação Triunfal do Evangelho Pelo Poder do Espírito Santo - Historico

Esboço
Introdução (1.1-11)

I - O Derramamento do Espírito Santo (1.12 — 2.41)

A} - A Preparação para a Promessa (1.12-26)
B} - O Dia do Pentecoste (2.1-41)

II - Os Primeiros Dias da Igreja em Jerusalém (2.42—8.1a)

A} - Características da Igreja Apostólica em Seguida ao Derramamento do Espírito (2.42-47)
B} - Um Grande Milagre e Seus Efeitos (3.1—4.31)
C} - A Comunidade de Bens dos Primeiros Cristãos (4.32—5.11)
D} - Mais Curas e a Resistência da Religião Oficial (5.12-42)
E} - A Escolha de Sete Diáconos (6.1-7)
F} - Estêvão: O Primeiro Mártir do Cristianismo (6.8—8.1a)

III - A Perseguição Leva à Expansão (8.1b—9.31)

A} - Os Crentes Dispersos na Judéia e Samaria (8.1b-4)
B} - Filipe: O Ministério de um Evangelista (8.5-40)
C} - Saulo de Tarso: A Conversão de um Perseguidor (9.1-31)

IV - O Cristianismo Propaga-se entre os Gentios (9.32—12.25)

A} - O Ministério de Pedro em Lida e em Jope (9.32-43)
B} - A Missão de Pedro aos Gentios em Cesaréia (10.1-48)
C} - O Informe de Pedro à Igreja de Jerusalém e a Aprovação da Sua Decisão (11.1-18)
D} - Antioquia: A Primeira Igreja Gentia (11.19-30)
E} - Perseguição sob Herodes Agripa I (12.1-23)
F} - Resumo do Crescimento da Igreja (12.24,25)

V - Primeira Viagem Missionária de Paulo (13.1—14.28)

A} - Paulo e Barnabé Comissionados pela Igreja Local de Antioquia (13.1-3)
B} - Início da Evangelização da Província da Ásia (13.4—14.28)

VI - O Concílio de Jerusalém (15.1-35)

VII - Segunda Viagem Missionária de Paulo (15.36—18.22)

A} - Divergência entre Paulo e Barnabé (15.36-40)
B} - Visita às Igrejas Fundadas (15.41—16.5)
C} - Novas Regiões Evangelizadas na Província da Ásia (16.6—18.21)
D} - Regresso à Antioquia da Síria (18.22)

VIII - Terceira Viagem Missionária de Paulo (18.23—21.16)

A} - A Caminho de Éfeso (18.23)
          Parêntese: O Ministério de Apolo (18.24-28)
B} - Um Prolongado Ministério em Éfeso (19.1-41)
C} - Viagem à Macedônia, Grécia e Volta à Macedônia (20.1-5)
D} - Regresso a Jerusalém (20.6—21.16)
IX - A Prisão de Paulo e Seu Ministério Enquanto Preso (21.17—28.31)
A} - Em Jerusalém (21.17—23.35)
B} - Em Cesaréia (24.1—26.32)
C} - A Caminho de Roma (27.1—28.15)
D} - Em Roma (28.16-31)

Autor: Lucas
Tema: A Propagação Triunfal do Evangelho pelo Poder do Espírito Santo
Data: Cerca de 63 d.C.

Considerações Preliminares


O livro de Atos, e de igual modo o Evangelho segundo Lucas, é endereçado a um homem chamado “Teófilo” (1.1). Embora nenhum dos dois livros identifique nominalmente o autor, o testemunho unânime do cristianismo primitivo e a evidência interna confirmatória dos dois livros denotam que ambos foram escritos por Lucas, “o médico amado” (Cl 4.14).
O Espírito Santo inspirou Lucas a escrever a Teófilo a fim de suprir na igreja a necessidade de um relato completo dos primórdios do cristianismo. (1) “O primeiro tratado” foi seu Evangelho a respeito da vida de Jesus, e (2) o segundo foi seu relato, em Atos, sobre o derramamento do Espírito em Jerusalém e sobre o crescimento da igreja primitiva. Torna-se claro que Lucas era um escritor habilidoso, um historiador consciente e um teólogo inspirado.
Atos abrange, de modo seletivo, os primeiros trinta anos da história da igreja. Como historiador eclesiástico, Lucas descreve, em Atos, a propagação do evangelho, partindo de Jerusalém até Roma. Ele menciona nada menos que 32 países, 54 cidades, 9 ilhas do Mediterrâneo, 95 diferentes pessoas e uma variedade de membros e funcionários do governo com seus títulos precisos. A arqueologia continua a confirmar a admirável exatidão de Lucas em todos os seus pormenores. Como teólogo, Lucas descreve com habilidade a relevância de várias experiências e eventos dos primeiros anos da igreja.
Na sua fase inicial, as Escrituras do NT consistiam em duas coletâneas: (1) os quatro Evangelhos, e (2) as Epístolas de Paulo. Atos desempenhou um papel substancial como elo de ligação entre as duas coletâneas, e faz jus à posição que ocupa no cânon. Nos caps. 13—28, temos o acervo histórico necessário para bem compreendermos o ministério e as cartas de Paulo. O pronome “nós”, empregado por Lucas através de Atos (16.10-17; 20.5—21.18; 27.1—28.16), aponta-o como estando presente nas viagens de Paulo.

Propósito


Lucas tem pelo menos dois propósitos ao narrar os começos da igreja. (1) Demonstra que o evangelho avançou triunfalmente das fronteiras estreitas do judaísmo para o mundo gentio, apesar da oposição e perseguição. (2) Revela a missão do Espírito Santo na vida e no papel da igreja e enfatiza o batismo no Espírito Santo como a provisão de Deus para capacitar a igreja a proclamar o evangelho e a dar continuidade ao ministério de Jesus. Lucas registra três vezes, expressamente, o fato de o batismo no Espírito Santo ser acompanhado de enunciação em outras línguas (2.1-4.; 10.44-47; 19.1-6). O contexto destas passagens mostra que isto era normal no princípio da igreja, e que é o padrão permanente de Deus para ela.

Visão Panorâmica


Enquanto o Evangelho segundo Lucas relata “tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar” (1.1), Atos descreve o que Jesus continuou a fazer e a ensinar depois de sua ascensão, mediante o poder do Espírito Santo, operando em, e através dos seus discípulos e da igreja primitiva. Ao ascender ao céu (1.9-11), a última ordem de Jesus aos discípulos foi para que permanecessem em Jerusalém até que fossem batizados no Espírito Santo (1.4,5). O versículo-chave de Atos (1.8) contém um resumo teológico e geográfico do livro: Jesus promete aos discípulos que receberão poder quando o Espírito Santo vier sobre eles; poder para serem suas testemunhas (1) em Jerusalém (1—7), (2) em toda a Judéia e Samaria (8—12) e (3) até aos confins da terra (13—28).
Nos caps. 1—12, o centro principal irradiador da igreja é Jerusalém. Aqui, Pedro é o mais destacado instrumento usado por Deus para pregar o evangelho. Nos caps. 13—28, o centro principal de irradiação passou a ser Antioquia da Síria, onde o instrumento de maior realce nas mãos de Deus foi Paulo para levar o evangelho aos gentios. O livro de Atos termina de modo repentino com Paulo em Roma aguardando julgamento perante César. Mesmo com o resultado do referido julgamento ainda pendente, o livro termina de modo triunfante, estando Paulo prisioneiro, porém cheio de ânimo e sem impedimento para pregar e ensinar acerca do reino de Deus e do Senhor Jesus (28.31).

Características Especiais


Nove principais destaques assinalam o livro de Atos. (1) A igreja. Atos revela a origem do poder da igreja e a verdadeira natureza da sua missão, juntamente com os princípios que devem norteá-la em todas as gerações. (2) O Espírito Santo. A terceira pessoa da Trindade é mencionada cinqüenta vezes; o batismo no Espírito Santo e o seu ministério outorgam poder (1.8), ousadia (4.31), santo temor a Deus (5.3,5,11), sabedoria (6.3,10), direção (16.6-10), e dons espirituais (19.6). (3) Mensagens da igreja primitiva. Lucas relata com habilidade os ensinos inspirados de Pedro, Estêvão, Paulo, Tiago, e outros, apresentando assim um quadro da igreja primitiva não encontrado noutro lugar do NT. (4) Oração. Os cristãos primitivos dedicavam-se às orações com regularidade e fervor, que, às vezes, duravam a noite inteira, produzindo resultados maravilhosos. (5) Sinais, maravilhas e milagres. Estas manifestações acompanhavam a proclamação do evangelho no poder do Espírito Santo. (6) Perseguição. A proclamação do evangelho com poder dava origem à oposição religiosa e/ou secular. (7) A ordem judaica/gentia. Do começo ao fim de Atos, o evangelho alcança primeiro os judeus e, depois, os gentios. (8) As mulheres. Há menção especial às mulheres dedicadas à obra contínua da igreja. (9) Triunfo. Barreira alguma nacional, religiosa, cultural, ou racial, nem oposição ou perseguição puderam impedir o avanço do evangelho.

Princípio Hermenêutico


Há quem considere o conteúdo do livro de Atos como se pertencesse a uma outra era bíblica e não como o padrão divino para a igreja e seu testemunho durante todo o período que o NT chama de “últimos dias” (cf. 2.17 nota). O livro de Atos não é simplesmente um compêndio de história da igreja primitiva; é o padrão perene para a vida cristã e para qualquer congregação cheia do Espírito Santo.
Os crentes devem desejar, buscar e esperar, como norma para a igreja atual, todos os fatos vistos no ministério e na experiência da igreja do NT (exceto a redação de novos livros para o NT). Esses fatos são evidentes quando a igreja vive na plenitude do poder do Espírito Santo. Nada, em Atos e no restante do NT, indica que os sinais, maravilhas, milagres, dons espirituais ou o padrão apostólico para a vida e o ministério da igreja cessariam, repentina ou de uma vez, no fim da era apostólica.

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